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O Fórum Social Mundial em Porto Alegre: Impressões...

  • Bruno Tomio
  • 26 de jan. de 2016
  • 5 min de leitura

Um dos principais objetivos do Projeto Conhecer Pedalando é conhecer e dialogar com meios que discutem e anseiam uma outra realidade, que acreditem, defendem e lutem por possibilidades de transformações em prol de um mundo melhor, mais justo, fraterno, igualitário, democrático, humano e ecológico. Diante disso, seguimos rumo ao Fórum Social Mundial (FSM) que aconteceu de 19 a 23 de janeiro na cidade de Porto Alegre RS. Algumas imagens do evento podem ser visualizadas no link https://www.facebook.com/media/set/?set=a.770229389748160.1073741831.764066890364410&type=3 .


Chegamos ao Fórum Social Mundial (FSM) com a expectativa de presenciar e estar junto em meio a vários movimentos fortemente combativos e ativos na luta contra o capitalismo e suas diversas injustiças, como também participar de discussões, debates e atividades das quais realizassem uma análise crítica e aprofundada da conjuntura atual, para assim vislumbrar ou buscar alternativas e ações evidentes para superaração da presente crise política, social e econômica e do modelo produtivo e político que gera estas e outras crises.



Infelizmente na marcha de abertura já foi possível notar a falta da presença de vários movimentos e organizações sociais fortemente combativos e de resistência ao capitalismo bem como resistentes e contrários à várias medidas do governo PT que não nos vem representando como uma verdadeira opção de uma política de esquerda e anticapitalista. As bandeiras mais presentes eram as sindicais. Mas mesmo assim foi emocionante estar junto às milhares de pessoas que defendem e lutam por várias ou infelizmente por apenas uma causa dentre as várias justas e necessárias, entre elas a da defesa dos direitos dos povos indígenas e das mulheres, contra o racismo, contra os manicômios, contra a privatização da educação, contra Cunha e em defesa da democracia e da Petrobrás.


Percebeu-se também o menor número de participantes no Acampamento da Juventude e no Fórum em si, onde já houve mais de 100 mil pessoas em edições anteriores. No show da abertura após a marcha ficou nítido qual seria a principal narrativa do Fórum, Não ao Golpe, Fica Dilma!


Aconteceram várias atividades no FSM, tentei estar presente no máximo possível de suas atividades, muitas das vezes querendo estar em vários lugares ao mesmo tempo diante da interessante e ampla programação. Priorizei as atividades principais e as mais anunciadas, das quais continham a presença de referências e lideres de movimentos e organizações sociais.


O FSM nos proporcionou uma bela e valida experiência na busca por conhecimentos e possibilidades, foi muito bom sentir tantas energias que anseiam mudanças e tranformações em prol de um mundo melhor, e ter participado dos seminários, debates, mesas de convergências e estar em contato com várias referências perante as discussões sobre as várias temáticas abordadas no evento. No entanto penso que faltou em algumas das atividades que participei uma análise mais aprofundada e crítica sobre a conjuntura política atual e também uma autocrítica aos movimentos e governos ditos de “esquerda” para uma possível superação dos vários desafios que estão presentes diante dos indiscutíveis retrocessos e na busca efetiva de políticas anticapitalistas para um mundo melhor, mais justo, fraterno, igualitário, democrático, humano e ecológico.



Parabenizo as atividades organizadas pelo Fórum Mundial da Educação (FME) presente no FSM, por meio de rodas de conversas e seminários de cunho democrático e participativo, contempladas com as falas de Gaundêncio Frigotto, Moacir Gadotti e outros professores da América Latina e Europa, buscando uma educação pública de qualidade, transformadora e popular. As falas de algumas referências presentes também fizeram a diferença no evento para a procura por alternativas e ações concretas. Entre elas as do sociólogo português Boaventura de Souza Santos, dos professores Gaudêncio Frigotto, Moacir Gadotti, Paul Singer, do cubano Alfredo Peres Alemany e Oded Grajew da rede Nossa São Paulo.


Boaventura de Souza Santos mencionou diversas contribuições do FSM, mas enfatizou que o mesmo precisa ter um poder mais combativo e decisivo em respeitos às políticas governamentais, para não correr o risco de ser apenas uma assembleia ou encontro de movimentos sociais. A ausência de poderes que podem influenciar nas decisões governamentais vem resultando no esvaziamento de vários movimentos e militantes no Fórum, frente a está situação Boaventura declarou que o fórum tem que se reinventar. Declarou também que é preciso admitir e aprender com erros da esquerda para buscar superá-los para não serem cometidos novamente, e também a necessidade da união das lutas de esquerdas frente a uma real fragmentação de lutas e movimentos. Oded Grajew preconizou que o mundo está em crise, mas a esquerda e o fórum também estão, pediu o reconhecimento da crise da esquerda e do fórum por meio da autocrítica e da reflexão para buscar a superação.


Foi em uma atividade fora do FSM, na qual foi organizada pela Fundação Lauro Campos, que tive a oportunidade de presenciar um diagnóstico e uma análise mais profunda e complexa da conjuntura política atual da América Latina e do Brasil. Nela estavam presentes militantes e representantes de movimentos e organizações sociais da Argentina, Brasil, Peru e Venezuela, que ofereceram um diagnóstico com mais exatidão da situação e dos desafios da América Latina e do Brasil. Entre os participantes estavam presentes Vladimir Safatle (professor e filósofo da USP), Gonzalo Gomez (editor do site APORREA e dirigente do Marea Socialista – Venezuela), Pedro Fuertes (direção nacional do PSOL e militante internacionalista), Tito Prado (coordenador do programa Frente Ampla e do movimento pela grande transformação – Peru) e de Luciana Genro (presidente da fundação Lauro Campos).


Destaco algumas das contribuições de Vladimir Safatle, que apontou que vivenciamos uma crise de representividade onde o governo atual não nos representa com políticas de esquerda e também que muito dos movimentos e militantes ditos de esquerda não conseguem fazer uma autocrítica e estão movidos por um medo de uma onda conservadora disseminada por muitos. Safatle coloca em questão a dita onda conservadora de direita e nos esclarece que onde há uma direita que cresce, há uma esquerda que fracassou, menciona que o medo não pode ser afeto político e que o conservadorismo já se encontra presente no governo atual.


Creio que fica o desafio de repensarmos o FSM, os movimentos e lutas de esquerda por meio de uma autocrítica reflexiva e de uma análise crítica do contexto para não repetirmos discursos superficiais e cairmos em uma hipocrisia diante da realidade atual. Esta posta a necessidade de lutarmos pela superação dos desafios que estão presentes na luta contra as diversas injustiças sociais e políticas que impossibilitam um mundo justo, igualitário, fraterno, humano e ecológico!


Segue as atividades das quais estive presente no FSM:


- Debates:


Enfrentar as desigualdades nas cidades


Políticas neoliberais e privatização da educação: as lutas em defesa da Educação Pública


- Marcha de abertura do FSM: Caminhada contra crise capitalista, pela paz, justiça social e ambiental.


- Mesas de Convergência:


Globalização, Desigualdade e a Crise Civilizatória: Da crise do Império à luta por um mundo multipolar.


Democracia e Desenvolvimento em Tempos de Golpismo e Crise.


Juventudes: Resistências e luta por direitos e democracia.


FSM, Altermundismo e a luta por um outro mundo possível


América Latina – Resistência e Alternativas


Democracia Econômica


Convergência de Educação: A educação Popular e os direitos humanos


- Seminários:


Contribuição da educação para a justiça social e a construção do mundo que queremos. Fórum Mundial

de Educação.


A contribuição do FME nos 15 anos do FSM. Principais Marcos. Contribuições e reflexões para avançar


- Rodas de Conversa:


O saber popular na produção do conhecimento – sistematização como princípio educativo.



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